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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Resenha Bairrista: São Paulo x Vasco


Companheiros, como muito dizem, até eunuco é capaz de enganar sua companheira. Lhe basta inteligência.

E isso sobrou ao Cruz de malta. Soube administrar a pseudo pressão que o tricolor submetia, e aproveitou os contra-ataques com velocidade notável. E todos sabem... O meio de campo é o cérebro de qualquer time. Por essa digo que o São Paulo é, até o exato momento em que escrevo, acéfalo. Falta personalidade e paciência. A bola para o três cores, nesse último domingo de julho, se tornara diamante. O jogador que pegava não queria soltar, corria e corria almejando sua casa, o baú em que guardaria aquela fortuna, o gol.

Porém uma barreira com faixa branca cuja atravessava diagonalmente o tronco, e cruz vermelha ao peito, o pararia. Não importava, qualquer fosse o ladrão, o pararia. O nome é Dedé, e rouba bem, melhor do que qualquer pirata. Não chuta canela -característica essencial para um beque de credibilidade- mas sabe usar o corpo. Nota dez, e mereceu o diamante da partida.

Já o meio tricolor banhou na lástima. Não soube trabalhar a lateral vice-campeã sul-americana. Dispunha de Ivan Piris, jogador ágil e perspicaz, que não pode mostrá-lo pois o meio tricolor segurava a bola, e criava pouco. Numa roubada de bola à meia lua da área vascaína, Dedé lançou para Diego Souza, que lançou uma excelente profunda lateral a Éder Luís, este apenas bombeou um cruzado com o pé direito, e a bola ficou em dúvida no meio termo do chute, mas ao bater na trave decidiu que queria descansar nas redes... e assim foi. 1x0 Vasco.

O meio do São Paulo é excelente, no papel. Precisa de cérebro. Qualquer time que saiba roubar a bola e alçá-la ao ataque com agilidade conseguirá superar. Ao segundo tempo, após uma troca de passes de qualidade, Felipe pegou a assistência de Jumar de primeira à área Tricolor e mirou ao ângulo de Rogério observador Ceni.

Vasco teve méritos, foi inteligente. Já o São Paulo, além de acéfalo, desconfio que também seja eunuco.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Resenha Bairrista: Santos x Flamengo


 Companheiros, dia de futebol bem jogado empolga até cobaia de viagra.

Difícil é aceitar, em meio a tantos jogadores abutres e futebol doesto, uma obra prima visual há muito não vista. Mais difícil ainda é o contento com um futebol limpo, belo, cristalino e motóreo, mesmo perdendo.  

E o que presenciamos hoje, companheiros,  foi a pura-prova de que o futebol ainda é, antes de tudo, paixão. O que foi o jogo entre o Santos e Flamengo se não o embate entre a vontade de se vencer com a ferramenta certa? O -mais- alve -do que- negro começou cravando a garra no time adversário com seu letal centro-avante e tanque-pivô, Borges. O que impressiona é o contraste entre o tanque e Neymar, que simplesmente brinca em campo. É como se ainda jogasse no quintal de casa, inventando dribles ante obstáculos estáticos. Fizeram logo três a zero.

Porém o urubu é catiço, não tem piedade. Não pode ver carniça ou corpo mole que já vai meter o bico. Foi o que aconteceu, Ronaldinho craque Gaúcho respondeu com os pés a todos . O futebol de quem esperamos a luz, está acendendo. Delírio é dizer que algo está perfeito. Mas, como em meio à iminente desgraça que será o país no decorrer dos anos, o que resta é circo. 

E isso sobrou. O Flamengo mais pareceu um ser que não se prende ao que já aconteceu, e apenas renasce diante a queda. Mais pareceu a fênix, e não o urubu. Mesmo Borges resistindo, Elano tentando fazer graça, e o jogo bonito em que o peixe e o urubu expunham, a noite foi dos craques. Mais valeu quem fez mais. Ronaldinho se dôou quando a equipe precisava. Cartões propositais? Que cartões?

Tudo isso em 90 minutos. Nove gols, 100% futebol, não resta só aos rubro-negros comemorarem.  

domingo, 24 de julho de 2011

Resenha Bairrista: São Paulo 2 x 2 Atlético-GO


 Companheiros, o ataque tricolor tomou a água da defesa.

Por esta, o jogo foi justo. Por outra, não. O três cores de São Paulo dominou do inicio ao fim, pressionou, mas não soube se manter. E, como sabem, se futebol fosse justo, a Dona Zeni, mãe do juiz, seria demasiadamente feliz. Não vim para dizer que detalhes decidem o futebol, nem que o mesmo é uma caixinha de surpresas - discordo em grau, se essa visão solista fosse usada pra qualquer ato da vida, seria cabível. 

O que surpreende é a situação em que o próprio Tricolor de São Paulo se coloca. O time é veloz, fechado, e tem um meio-campo de qualidade para moldar seus botes. Mas peca. Os zagueiros atuais mais parecem discípulos de Maria Madalena, pecam como o diabo. Rhodolfo é um considerável beque, e esbanja mais qualidade que Xandão -há muito mais tempo no time. O mesmo Rhodolfo foi quem abriu o placar, em um cruzamento com as mãos dos pés, feito por Dagoberto -jogou demais, se movimenta como uma lebre. Sua maior qualidade: tem raça. Defeito: qualquer jogador de qualidade no mandato de Juvenal Juvêncio, é quitanda. 

O dragão de Goiás, que nada tem a ver com a sonolência da zaga, se aproveitou de um cruzamento quase a meio campo achando Bida. Amaciou com o peito a bola, brigou pela amada e chutou sem chances para Rogério. A torcida fez sua parte, gritou ainda mais alto, como se quisesse abafar a comemoração do adversário. E adiantou. Rivaldo, o glorioso canela sábia, após cruzamento preciso, simulou centro-avante e chutou com a cabeça. 

Como digo, se o empate fosse às avessas o time não sairia vaiado ao final do jogo. Se o Atlético virasse o jogo, e o tricolor empatasse após, seria um sete de setembro. Mas, Rafael Cruz me fez moldar este pensamento com seu cruzamento a contra-pé dos zagueiros, que iam em direção ao gol. Não deu outra, vindo pelas costas de todos, Anselmo apenas meteu a cabeça e dignificou o empate dos goianos. 

Adilson tem bom trabalho pela frente. Pois a orgia no futebol brasileiro é grande. Faz-se troca troca de treinadores como louco. 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Resenha Bairrista: Internacional x São Paulo



O Tricolor venceu, e convenceu. Mesmo muito longe do futebol líder, rápido, preciso, objetivo e raçudo dos corinthianos, o Tricolor chegou ao que a mídia -caso seguisse seus padrões de criar crises- chamaria de a Crise Inversa. Arriscado, eu sei. Mas há de sonhar enquanto o futebol convence, caso contrário a graça se esvairia.

Os guerreiros da seleção de três cores - julgue o arqueiro R.C, só estou repetindo suas palavras - jogaram bem, de modo a fazer a timidez dos colorados vir à tona. Correram, marcaram, caíram. Numa dessas o canela seca, de perto da área, numa falta perigosa, cruzou para o garoto Casemiro cabecear como chutam os pés, sem chance para o goleiro. Os vermelhos esboçaram reagir e ameaçaram os três cores, em vão. No segundo, lançado em velocidade dupla, Fernandinho arrancou como velocista, e conseguiu provar que suas pipocas podem ser facilmente trocadas pela objetividade e qualidade. 2x0

Fim de primeiro tempo e a equipe dos colorados não dava sinal qualquer de reação. Segundo tempo e, para arrematar de uma só -ou melhor, três- vez(es), Carlinhos Paraíba, em rebote de cruzamento, pegou falha irrevogável de Nei, à ponta da área, dominou e mirou ao canto do colorado. Gol com direito à um misto de Daiane dos Santos com Bebeto na comemoração.

Belo baque na equipe colorada, que dispõe de um elenco bom, e pode almejar as posições superiores sem medo, mas para isso: também sem a timidez de hoje. E, perdoem-me a repetição. O Tricolor venceu, e convenceu - mas ainda não mostra um futebol à altura do líder.

domingo, 10 de julho de 2011

Resenha Bairrista: São Paulo x Cruzeiro


A volta da lógica. Não há outra explicação para o feito ocorrido no dia de hoje.

Ao tempo que um carranco trancava o camisa dez, o óbvio analista o atira em campo como despertador de indolente. Bingo. Estava faminto, pedia bola, rolava, passava, e corria. Rivaldo, inteiro feito potro, correu os 90 minutos mais fugaz que os comuns 20, dispostos por Carpegiani, como carta moral do time aos finais dos jogos.

O celeste foi muito dependente de Montillo - que, após 15 minutos, sumiu. E, como sabemos, não se confia nem reza a um argentino. A equipe de Joel pressionou nos primeiros dez minutos e se envergonhou, recuou à beira da intermediária defensiva e lá se manteve. Pecou. 

O tricolor confiou em Rivaldo, e somou um. Após Marlos - que até ali, e durante maior parte do jogo, corrria feito queniano- vir agilmente pela esquerda, tocar para Rivaldo, que com suas canelas finas e rápidas devolveram a sintética para Marlos, ao melhor estilo 'pasa me voy', o menino queniano tocou um doce para Dagoberto, que chegou ao inicio da pequena área apenas para assoprar a bola. 

Logo no início do segundo tempo, Rivaldo mostrou como a lógica foi bem vinda, e a burrice de proporção panjéica de Carpegiani em não escalá-lo antes. Partiu da intermediária e cortou o zagueiro como se nada fosse tão fácil, assistiu Marlos - que, novamente, parecia um queniano vindo da São Silvestre-, e o menino apenas chapou com sua perna fraca ao alto do gol. Dois.

A festa parecia perfeita, e o codinome tricolor parecia renascer novamente de sua tumba, mas os meios também justificam os fins. Pois a celeste - que não estava celeste- marcou. Lançamento pela direita.   Montillo estava apagado, mas, como disse, não se pode confiar nem reza a um argentino. E dessa vez o veneno hermano escorreu sobre os pés de Ortigoza, deu um passe digno para Wallysson, que chegava de trás para marcar frente à frente ao arqueiro tricolor e dar sinal de vida - e por que não um chute na canela do São Paulo?

O jogo amornou, as cabeças tricolores esfriaram. O apito final não podia vir em melhor hora.

Fim da crise -até a próxima derrota.