segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Nelson na Avenida

Nelson na avenida

RIO DE JANEIRO - Nelson Rodrigues tinha seis anos e meio no Carnaval de 1919, quando viu a primeira mulher nua, ou quase, de sua vida. Era uma odalisca de umbigo de fora, que, de um carro aberto num corso, jogava beijos para as calçadas. Nelson a conhecia. Era sua vizinha, uma santa senhora. Até então, só a vira de cara amarrada e vestido fechado. Mas, naquele Carnaval -o primeiro depois da gripe espanhola, que matara milhares no Rio-, ela soltava literalmente os véus.

Ele nunca superou essa visão.

Aliás, Nelson nunca se habituou à nudez, que, para ele, tinha algo de sagrado. Por isso lamentava que o cinema, o teatro, a TV, o Carnaval, a praia etc. a estivessem vulgarizando. Seu termômetro era o "crioulo do Grapette", o vendedor que, junto à sua carrocinha na calçada, olhava distraído a paisagem, ignorando as deusas douradas, molhadas, de biquíni, que saíam do mar para comprar o refrigerante.

Nelson será enredo de uma escola do Carnaval carioca de 2012, a Viradouro, de Niterói. Já há algum tempo, as escolas do Rio abandonaram a nudez pela nudez e contiveram a metragem de pele exposta a limites que até Nelson aprovaria. Em troca, a ideia que a escola talvez faça dele -a de um imoralista, baseada em personagens como a Bonitinha, mas Ordinária ou a Dama do Lotação- não poderia ser mais equivocada.

Não importa muito. Se os intelectuais passaram o século sem entender Nelson direito, por que uma escola de samba deveria deitar cátedra sobre ele na avenida?

O mais importante estará lá: Nelson como um baluarte da liberdade de expressão, da luta contra a censura e da identificação com o futebol, o subúrbio e a gíria do povo. A Viradouro deve brilhar, mas, para fazer justiça ao universo de Nelson Rodrigues -seus tipos, frases e obsessões-, uma escola é pouco. 
Seria preciso um Carnaval inteiro.

Ruy Castro

domingo, 9 de outubro de 2011

Isto é para os loucos




“Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os que são peças redondas nos buracos quadrados. Os que veem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou difamá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Eles empurram a raça humana para frente. Enquanto alguns os veem como loucos, nós vemos gênios. Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são as que, de fato, mudam.”

Steven Paul Jobs, 1955 - 2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O hino que faltava


Companheiros, a seleção venceu e convenceu. Convenceu, sim, e por três motivos: foi contra nossos hermanos, tinha um troféu em disputa -e sabemos, brasil e argentina é final de copa do mundo até em futebol de botão; e a torcida foi centro-avante.  

O que mais me admirou foi o uníssono antes do início da partida. O que foi a torcida, após a pausa da reprodução do hino, complementando com sua voz saudosista de boa cantoria de massa? Não conseguirei ver algum brasileiro que não veja isso e não se orgulhe, mesmo que no fundo sinta ódio pelos podres -e convenhamos, o ódio e o amor são siamêses progênitos da paixão. Ufanismo não, realismo visto, comprovado. Empirismo por fato, eram mais de 42 mil pessoas provando aos milionários em campo que uma das motivações mais efetivas pra qualquer esportista (arrisco a dizer ser humano) é a paixão. E este foi o diferencial.

A maioria dos que estavam ali em campo sentem no dia a dia o que é ver os que estão na europa terem privilégios, estarem mais em foco mesmo não jogando nada, e serem convocados, pura e simplesmente porque estão em foco. Uma chance após ser convocado para a seleção, no Brasil, atuando em clubes do Brasil e é uma viagem de bom senso aos princípios das seleções vitoriosas. Ontem, ao se postarem ante dezenas de milhares de pessoas, e ouvirem o uníssono centro-avante, os jogadores da nossa seleção perceberam algo que não há na europa, o Brasil.

Parabéns à torcida, que compensou qualquer carretilha ou gol com apenas uma coisa.

O hino que faltava.
 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A Carretilha de Damião


Companheiros, o que foi o drible de Damião ante nuestros hermanos agora-perdidos?

O gol, em certas ocasiões, é mero figurante. De menos, como ontem. Segundo tempo frio feito corpo de grã-fina, a saudosa couruda sintética rolava pela direita. O defensor argentino focava a bola com confiança, mas Damião -Leandro Damião, como gosta de ser chamado. Compadeço, poder ser confundido com porteiro é bucha- resolveu cravar a marca de sua fase neste ano em alto garbo.

Com ambos os pés, segurou a bola que estava à frente, soltou-a à altura de suas costas, encobrindo o defensor argentino -cujo deixo no anonimato, para o bem de sua carreira. O hermano está a procurar a bola até então. Não satisfeito, Leandro Damião, ao fim do perdido que deu no argentino, chutou em direção ao gol, pela diagonal, quase encobrindo o goleiro e aterrisando na baliza direita. Mas por capricho e prepotência, a sintética argentina ficou invejosa, não foi com a cara de Damião - desde o primeiro tempo- e não entrou. Aos brasileiros e ao artilheiro do Brasil, resta a prova de que não só sabe se virar dentro da área. A catimba brasileira é a ginga, o drible, a manha.

A argentina é a perda e a busca.

sábado, 27 de agosto de 2011

Estamos perto da realidade nos jogos?


Sabemos que uma das maiores mudanças no mundo dos video-games foi a passagem dos jogos vetoriais para os polígonos na constituição gráfica de seus universos. Alguns nostálgicos e apaixonados pela história dos jogos eletrônicos podem lembrar de Lundar Lander, um jogo de 1979 com gráficos antecessores aos dos polígonos.

O que diferencia Super Mario World de Mario 64? Os polígonos. Zelda: a Link to the Past de Majora's Mask? Os polígonos. Sim, a comparação é radical e nintendista, mas se refere apenas à tecnologia usada nos jogos. A constituição que os estúdios utilizam hoje na feição de muitos jogos é a poligonal. Mas o que isso quer dizer? Quanto maior o número de poligonos, mais detalhado é o objeto. A facilidade de interação entre os mesmos objetos, cenários, personagens, sombras, etc. 

Uma questão surgiu a algumas semanas com a amostra da nova tecnologia da empresa Euclideon, a Unlimited Detail. Seria o fim da era dos polígonos, e o início de uma realidade virtual?

  
A principal mudança feita pela empresa é a utilização de "átomos virtuais" para a construção da ilha demonstrativa. Muita coisa mostrada no vídeo é de impressionar até o mais radical dos céticos, começando pelo sistema de escaneamento de objetos para a reprodução virtual deles. O argumento principal deste mecanismo é o de que, como são átomos virtuais, pode ser captado até o mínimo detalhe do objeto. E isso é verdade. Porém a dúvida criada em cima de todo esse hype da Euclideon é descabida. A representação da ilha é perfeita e surpreende, mas não é um jogo. É uma demonstração gráfica e não há interação prática entre você e outros elementos -premissa principal para qualquer jogo. Agora repito a pergunta:  Seria o fim da era dos polígonos, e o início de uma realidade virtual? Ainda não. 

São vários os motivos pelos quais a Unlimited Detail pode vir a não vingar. Dentre eles, o principal:

Interação entre átomos: Por mais detalhado que sejam os objetos com infinitos polígonos, nenhum deles vai chegar ao nível de detalhe dos átomos. É aí que a interação se torna no mínimo uma tarefa muito árdua para qualquer desenvolvedor. Imagine você projetar uma simples colisão entre a ponta da espada de Link, e qualquer moita ou inimigo, átomo... por... átomo. A não ser que fosse desenvolvida uma engine para o auxílio de determinada projeção, isso seria muito trabalhoso e precisaria de no mínimo três desenvolvedores para um único golpe de Link.

É, "ainda". Por mais que seja uma tecnologia não-interativa, ainda é uma tecnologia, e a qualquer momento a NVIDIA ou qualquer estúdio desenvolvedor de jogos pode adotar a ideia e gastar uma boa grana com o experimento. Acredite, construir átomo por átomo não deve ser tão barato. Mas a credibilidade de quem conseguir colocar essa tecnologia pra funcionar dentro dos jogos vai ser imensa. Imagine o Mario parecido com um encanador de verdade? Ok, acabei de estragar todos os meus argumentos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Coluninha: R10 na seleção? Ainda não.



Companheiros, o nível de exigência dos brasileiros tende a despencar como árvore no Norte.

A cada atuação da Seleção, o fracasso -cilindro de 22cm bisuntado de óleo e mirando os anais dos jogadores- se aproxima. Vá lá que nosso meio-campo é o melhor do mundo, longe disso, ainda longe. Falo o mesmo das laterais, e os amigos hão de concordar que Daniel Alves e Maicon ainda não gozam de suas habilidades notáveis. O brasileiro então, apaixonado e iludido garoto de 13 anos, inicia a busca por um suplente nestas posições, e as especulações esdrúxulas e divertidas começam, cada um quer um representante de seu time vestindo a amarela -mesmo que no banco. "Põe Boiadeiro!" "Zé Cajú", "Vaca Braba", "Ronaldinho!". Ronaldinho. Ronaldinho? Vejamos

Ronaldinho oscilava no Milan, quando, de alguma maneira (com condições decididas por um jantar grã-fino), chegou ao Urubu. No Urubu, porém, só mudou o fuso-horário, as boemías eram as mesmas. Ao ápice de sua parança, aos 40 minutos de um zero a zero contra um time que me foge a memória, Luxemburgo, inteligentemente o substituiu apenas para que o dentuço escutasse as vaias. Ouvir 20 mil torcedores te vaiando? Mole. Ouvir 20 mil flamenguistas te vaiando? Morte. Após este episódio surgiu o disque-dentuço. Mecanismo criado por um anônimo e exímio torcedor Urubu para que o torcedor que visse Ronaldinho na boate ligasse, e a informação chegaria à diretoria. 

Então tomou jeito, alguns dias depois começou a treinar feito um não-Romário e em sua atuação seguinte meteu dois. Hang Loose pra galera e o sorriso horrível que todo brasileiro -não-vascaíno/botafoguense/fluminense/são-paulino/palmeirense/etc etc. Em suma: flamenguista- gosta de ver. Daí pra frente o dentuço só deu motivos pra animar a torcida, assistências, jogo histórico contra o peixe, e outros fatores levantaram a dúvida à mente do brasileiro: é hora pra seleção? Não. Ronaldinho, o cabelo mais caro do Rio de Janeiro, ainda está amadurecendo. Precisa de mais confiança, precisa suar mais para que dê valor à camisa amarela e ao caminho árduo que o jogador percorre para conseguí-la. Claro que a CBF faz da seleção brasileira uma vitrine, e o senhoríssimo, mafiosíssimo, e, mais do que tudo, DIGNÍSSIMO Ricardo Pechincha já provou isso. E o que vem ao caso é: o meia de que o Brasil precisa está no Urubu, mas não é o dente-de-trem. Williams é seu nome,  e o garoto rouba bola feito corinthiano, foi o maior ladrão de bolas do campeonato ano passado e continua líder no quesito, tem garra, e corre feito o diabo. Já está mais do que na hora dele ter sua chance. 

Mas há um problema:  o brasileiro só nota meia-atacante. Volante é feito contra-regra, nunca aparece, mas é tão essencial quanto.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Nintendo e 3DS, fracasso iminente ou presente?


 Lendo a carta da Nintendo Europe e do presidente Satoru Iwata remetida aos compradores do Nintendo 3DS antes do corte no preço do mesmo, me pergunto: "Será esta a solução? Corte de preços?"

A Nintendo sempre esteve no pico do mundo dos portáteis. Até a Sony decidir bater de frente com seu garoto, o PSP, e a Apple com seus olhos azuis, os iOS. Claro. Após ser anunciado, o 3DS pareceu ser uma grande inovação com seu "3D no-glasses", e os gamers ficaram atentos - mesmo que duvidosos, atentos. Após a Apple anunciar um "pacote" de apoio aos developers de aplicativos para seus aparelhos iOS, houve um grande boost - não só na quantidade- nos games para os mesmos, e os consumidores da maçã começaram a pensar "Por que não usar meu aparelho iOS como console portátil?". Já a Sony, sempre inovadora, lançou o PS Vita, que trazia/traz ports de jogos clássicos do PS3 (como Uncharted e Little Big Planet). A Nintendo apenas ia se vendo sendo empurrada contra o canto do fracasso, e a solução que encontraram foi um corte de preços, que está oficializado para o dia 12 de Agosto, de U$249.99 para U$169.99.

E foi aí que a Nintendo pecou. Não existe, em qualquer console atual, o "lançar por lançar". É a mesma coisa do que ter um supermercado e pôr apenas alimentos de necessidade básica à venda. Todos vendem, mas o que diferencia? A Nintendo tem total preconceito com as produtoras "independentes", e isto reflete no mercado. As produtoras tem medo de investir na Nintendo, e a Nintendo tem medo de investir nas grandes produtoras. O que acontece é que a Big N se esconde atrás dos clássicos, e por mais extraordinário que pareça, dá certo. Mas o que fazer? É claro que isto daqui se trata de uma coluna, e tem a opinião de quem pouco sabe sobre o mundo dos negócios -e sabe mais sobre o mundo dos games- mas se o senhor Satoru Iwata acatar uma de minhas ideias vou pedir uma cota, justo?

Apoio às produtoras. Independentes ou não.

Muito óbvio, eu sei. Mas se a Big N quiser se livrar do paradigma de dependente dos clássicos, terá de fazer mais investimentos nas produtoras de games, independentes ou não. Hoje em dia a única diferença entre a empresa independente e as outras são os cifrões investidos, e não a qualidade dos títulos -ta aí Bastion pra provar...

JOGOS DE GRAÇA!!! 

Não, eu não estou surtando. O Nintendo 3DS pode ser usado como console para jogos casuais também, assim como o iOS. E, again, assim como o iOS, há jogos de graça. Isso atrai até o maior mão-de-vaca para pelo menos experimentar a demo daquele jogo bem falado, ou fazer um download de jogos casuais.

Uma e-store DIGNA

Convenhamos que isto também faz falta para a Nintendo. Sim, já existe. Mas não uma como a App Store, e a PS Store. Você percebeu? Tudo leva a um ponto, ou vice-versa. Explico melhor: a Nintendo nunca se preocupou com as produtoras de games, por isso não tem uma flexibilidade no mercado, e por isso não tem uma e-store digna. Got it?

Já passou da hora da Nintendo notar a importância das produtoras, e não só do console. Também notar que  o 3DS segue o caminho de um fracasso iminente. Ou é isso, ou o Wii U também vai cair na mesma.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Review: Portal 2 - Is the cake a lie?



Think with Portals - A primeira impressão de um game não é a que fica:

Ao jogar Portal pela primeira vez -ainda coadjuvante em meio a Half Life e Team Fortress, na Orange Box- a única coisa que consegui pensar foi: "Cubos mágicos brancos, portais, e uma personagem muda? I'm done with this s*#t.". Semanas após, deixando de lado o preconceito soslaio e débil, atentei-me mais aos detalhes, e o notável se tornou destacável. Os céticos se tornaram mais atentos e o simples "think" se tornou "Think with Portals". Portal 2, então, chegou. Com instigante marketing, miras apontadas para quase todas as plataformas, inovações, e, ainda mais importante: surpresas para muitos céticos tolos espalhados pelo mundo (alguém aí falou comigo?).

Revocando brevemente a história: 

Antes de tudo, vale o adendo: a história de Portal é rodeada de mistérios - torço verdadeiramente pra que isso seja um proposital catalisador para a continuidade da história em -quem sabe- um futuro jogo. Você é Chell, uma personagem muito à lá old school, que não abre a boca em qualquer momento do jogo pra dizer algo - isso flui incrivelmente com a narrativa do jogo, explicarei o porquê daqui a pouco. 

Não se sabe como e nem por que Chell é uma cobaia da Aperture Science, apenas que ela é a única sobrevivente do ataque de GLaDOS - quando encheu o centro de enriquecimento com uma neurotoxina mortal. Inteligência Artificial Homicida e Sacástica. Essa é GLaDOS, um computador desenvolvido para acompanhamento dos testes científicos dentro da Aperture Science. Desconfia-se que sua origem seja a transferência da consciência de Caroline , assistente do criador da Aperture, a um computador (estranho? Não quando o assunto é: arma de portais, geis de propulsão, repulsão e conversão. Chega de história.

Gameplay orange n' blue:

Acho no mínimo ultrajante ao meu leitor repetir o que muitos já dizem. Mas não posso escapar, a Valve cravou seu nome neste 'novo gênero', e por que não, na sua história? Puzzle FPS. Por mais que aparente ser muito mais por acaso do que algo planejado, o modo de jogo em Portal e Portal 2 cai tão bem quanto a cova da Dercy.

A jogabilidade de Portal 2 inclui novos mecanismos. Não bastasse a Handheld Portal Device (ou Portal Gun, como preferir), o jogo inclui géis - não podemos deixar de comparar sua enorme semelhança com o mecanismo de The Power of Paint.. São três tipos diferentes de gel, que te trarão diferentes efeitos em cada câmara.


Gel de Propulsão: Gel Usain Bolt. É laranja. O atrito dos objetos com a superfície diminui, e a velocidade é aumentada. Pode ser mais utilizado para deslizar cubos rapidamente. E... é laranja.

Gel de Conversão: Gel Michael Jackson. Nem todas as paredes são propícias à Portal Gun. O gel da conversão transforma paredes não-propícias a portais em compatíveis. Resultado: maior diversidade de situações às quais você pode terminar uma chamber. O trocadilho com Michael Jackson? Desnecessário.

Gel de Repulsão: Gel Canguru. Você vai usar esse gel basicamente para fazer algum objeto pular para um lugar desejado, passar por superfícies paralelas ou criar um malabaris com blocos pulantes -sim, eu faço isso quando me frustro nas chambers mais difíceis. Você sabia que foi a primeira tentativa da Aperture Science para criar um substituto dietético de pudim?


Carisma em robôs? 

Wheatley. Este é o nome da maior surpresa que a Valve proporcionou aos fãs - e o carinha aí do lado. Foi a primeira vez na qual gargalhei com piadas em um jogo -e não com glitches. A sua importância no auxílio do player, ao início do jogo, como tutorial-boy, não só é uma amostra do que você escutará durante o jogo mas sim de como um personagem secundário podese tornar um principal. 

Pro diabo esse discurso de que o humor nos games está overrated e forçado. Portal 2 é uma amostra de como este pseudo discurso não tem via, e de como podemos ter uma narrativa linear não engessada, flúida, e divertida ao mesmo tempo. (Spoiler de Portal "UM" Alert!) : A própria GLaDOS é uma amostra disso, quando em certos momentos do jogo "joga na cara" a sua vitória sobre ela no primeiro jogo da série, e o fato de você nunca poder sair daquele centro de testes no campo de enriquecimento localizado no nada -até agora.


The cake is true (considerações finais):
É possível numerar diversos aspectos no qual o game se destaca, mas o principal é de que Portal 2 é uma amostra de como fazer sua franquia voltar com tudo ao mercado -sendo com campanha massiva de marketing (não levo fé) ou pelo hype dos próprios fãs (levo fé). There will certainly be cake.


Resenha Bairrista: São Paulo x Vasco


Companheiros, como muito dizem, até eunuco é capaz de enganar sua companheira. Lhe basta inteligência.

E isso sobrou ao Cruz de malta. Soube administrar a pseudo pressão que o tricolor submetia, e aproveitou os contra-ataques com velocidade notável. E todos sabem... O meio de campo é o cérebro de qualquer time. Por essa digo que o São Paulo é, até o exato momento em que escrevo, acéfalo. Falta personalidade e paciência. A bola para o três cores, nesse último domingo de julho, se tornara diamante. O jogador que pegava não queria soltar, corria e corria almejando sua casa, o baú em que guardaria aquela fortuna, o gol.

Porém uma barreira com faixa branca cuja atravessava diagonalmente o tronco, e cruz vermelha ao peito, o pararia. Não importava, qualquer fosse o ladrão, o pararia. O nome é Dedé, e rouba bem, melhor do que qualquer pirata. Não chuta canela -característica essencial para um beque de credibilidade- mas sabe usar o corpo. Nota dez, e mereceu o diamante da partida.

Já o meio tricolor banhou na lástima. Não soube trabalhar a lateral vice-campeã sul-americana. Dispunha de Ivan Piris, jogador ágil e perspicaz, que não pode mostrá-lo pois o meio tricolor segurava a bola, e criava pouco. Numa roubada de bola à meia lua da área vascaína, Dedé lançou para Diego Souza, que lançou uma excelente profunda lateral a Éder Luís, este apenas bombeou um cruzado com o pé direito, e a bola ficou em dúvida no meio termo do chute, mas ao bater na trave decidiu que queria descansar nas redes... e assim foi. 1x0 Vasco.

O meio do São Paulo é excelente, no papel. Precisa de cérebro. Qualquer time que saiba roubar a bola e alçá-la ao ataque com agilidade conseguirá superar. Ao segundo tempo, após uma troca de passes de qualidade, Felipe pegou a assistência de Jumar de primeira à área Tricolor e mirou ao ângulo de Rogério observador Ceni.

Vasco teve méritos, foi inteligente. Já o São Paulo, além de acéfalo, desconfio que também seja eunuco.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Resenha Bairrista: Santos x Flamengo


 Companheiros, dia de futebol bem jogado empolga até cobaia de viagra.

Difícil é aceitar, em meio a tantos jogadores abutres e futebol doesto, uma obra prima visual há muito não vista. Mais difícil ainda é o contento com um futebol limpo, belo, cristalino e motóreo, mesmo perdendo.  

E o que presenciamos hoje, companheiros,  foi a pura-prova de que o futebol ainda é, antes de tudo, paixão. O que foi o jogo entre o Santos e Flamengo se não o embate entre a vontade de se vencer com a ferramenta certa? O -mais- alve -do que- negro começou cravando a garra no time adversário com seu letal centro-avante e tanque-pivô, Borges. O que impressiona é o contraste entre o tanque e Neymar, que simplesmente brinca em campo. É como se ainda jogasse no quintal de casa, inventando dribles ante obstáculos estáticos. Fizeram logo três a zero.

Porém o urubu é catiço, não tem piedade. Não pode ver carniça ou corpo mole que já vai meter o bico. Foi o que aconteceu, Ronaldinho craque Gaúcho respondeu com os pés a todos . O futebol de quem esperamos a luz, está acendendo. Delírio é dizer que algo está perfeito. Mas, como em meio à iminente desgraça que será o país no decorrer dos anos, o que resta é circo. 

E isso sobrou. O Flamengo mais pareceu um ser que não se prende ao que já aconteceu, e apenas renasce diante a queda. Mais pareceu a fênix, e não o urubu. Mesmo Borges resistindo, Elano tentando fazer graça, e o jogo bonito em que o peixe e o urubu expunham, a noite foi dos craques. Mais valeu quem fez mais. Ronaldinho se dôou quando a equipe precisava. Cartões propositais? Que cartões?

Tudo isso em 90 minutos. Nove gols, 100% futebol, não resta só aos rubro-negros comemorarem.  

domingo, 24 de julho de 2011

Resenha Bairrista: São Paulo 2 x 2 Atlético-GO


 Companheiros, o ataque tricolor tomou a água da defesa.

Por esta, o jogo foi justo. Por outra, não. O três cores de São Paulo dominou do inicio ao fim, pressionou, mas não soube se manter. E, como sabem, se futebol fosse justo, a Dona Zeni, mãe do juiz, seria demasiadamente feliz. Não vim para dizer que detalhes decidem o futebol, nem que o mesmo é uma caixinha de surpresas - discordo em grau, se essa visão solista fosse usada pra qualquer ato da vida, seria cabível. 

O que surpreende é a situação em que o próprio Tricolor de São Paulo se coloca. O time é veloz, fechado, e tem um meio-campo de qualidade para moldar seus botes. Mas peca. Os zagueiros atuais mais parecem discípulos de Maria Madalena, pecam como o diabo. Rhodolfo é um considerável beque, e esbanja mais qualidade que Xandão -há muito mais tempo no time. O mesmo Rhodolfo foi quem abriu o placar, em um cruzamento com as mãos dos pés, feito por Dagoberto -jogou demais, se movimenta como uma lebre. Sua maior qualidade: tem raça. Defeito: qualquer jogador de qualidade no mandato de Juvenal Juvêncio, é quitanda. 

O dragão de Goiás, que nada tem a ver com a sonolência da zaga, se aproveitou de um cruzamento quase a meio campo achando Bida. Amaciou com o peito a bola, brigou pela amada e chutou sem chances para Rogério. A torcida fez sua parte, gritou ainda mais alto, como se quisesse abafar a comemoração do adversário. E adiantou. Rivaldo, o glorioso canela sábia, após cruzamento preciso, simulou centro-avante e chutou com a cabeça. 

Como digo, se o empate fosse às avessas o time não sairia vaiado ao final do jogo. Se o Atlético virasse o jogo, e o tricolor empatasse após, seria um sete de setembro. Mas, Rafael Cruz me fez moldar este pensamento com seu cruzamento a contra-pé dos zagueiros, que iam em direção ao gol. Não deu outra, vindo pelas costas de todos, Anselmo apenas meteu a cabeça e dignificou o empate dos goianos. 

Adilson tem bom trabalho pela frente. Pois a orgia no futebol brasileiro é grande. Faz-se troca troca de treinadores como louco. 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Mortal Kombat 9 – Um Brutality Nostálgico


De volta à Old School de Mr. Boon

Me lembro bem de, em grande parte da minha infância, ter jogado Mortal Kombat 1, 2, 3 alugados em locadoras. A violência visceral nunca vista antes era o que chamava a minha atenção. As várias opções de golpes, especiais e Fatalities com personagens diferentes, definitivamente era o que fazia jus àquela atenção antes dada. E é isso que Mortal Kombat 9 faz: uma grande maximização do que era a utopia dos fãs deste game bruto e viciante que só pode ser descrita em uma só palavra: épico.

Tentativas de reavivar este estilo nostálgico de que todos se queixavam não ter continuidade foram poucas. Grande parte das novas versões do jogo surgiu com propostas inovadoras que não só desapontavam os fãs da série, mas também não eram atrativas ao novo gamer consumidor. Mas após um bom período decepcionando os acompanhantes da série Mortal com continuações medíocres, nenhum destaque, e minigames, no mínimo, ultrajantes aos fãs, podemos dizer que Mortal Kombat voltou às origens... Com estilo.

O salvador da pátria

Raiden aparece em MK9 como uma metáfora real de salvador da pátria. Tanto dos fãs que, ao longo do tempo foram se decepcionando com a mudança drástica do rumo da história, como dos próprios produtores que foram os responsáveis por tal feito. Aqui, Raiden volta no tempo, mudando a realidade (em que todos estariam mortos e Shao Khan seria soberano) e cria uma realidade alternativa. Chega de enrolação, vamos ao jogo:

Carisma Visceral

Já não é de hoje que o carisma dos personagens de Mortal Kombat conta pontos importantíssimos para o sucesso do game. Ultimate MK3 que o diga. Não só foi feito um redesign no figurino de todos eles com o auxílio da tecnologia Unreal , como os moves continuam sendo os mesmos, e as vozes também (mesmo pecando em algumas exceções). Ed Boon e sua equipe mostram o quanto o game foi feito com carinho ao manter os golpes “especiais” que fazem parte da personalidade dos personagens (como Cyrax e sua teia verde, Scorpion e sua corrente, etc) e apenas acrescentar novos tipos de golpes.

A entrada de um penetra... 

Kratos foi posto tal qual um garoto propaganda para os novos gamers que ainda não conheciam a série, ou não acompanharam sua fase de ovos de ouro. Até aí não há problema algum, desde que a proposta inicial do game tenha sido naturalmente essa, e não foi isso que ocorreu. A partir do momento que o game surge com uma proposta de reavivar o espírito dos antigos admiradores da série, a implementação de um personagem que naquela época sequer existia é totalmente supérflua. Mantendo a justiça: God of War é um de meus games favoritos, e Kratos exala um carisma anti-heroico admirável... Conquanto que esteja no Olimpo.
Lute até morrer (Os game modes)

Já no menu inicial temos a opção clássica Fight (onde você pode jogar escolhendo seu lutador e o adversário, ou os modos Test your Might, Luck, Sight e Strike) . O modo de jogo Story ressalta bem o que foi dito anteriormente sobre o carisma dos personagens, uma vez que escolhido o seu lutador e tendo derrotado todos os adversários, há uma apresentação estilo MK4 da história pós game do personagem. O modo Training é excelente e difere da maioria dos games, recheado de tutoriais do início ao fim (desde dar um passo a frente até o Fatality mais brutal).

O Challenge Tower, é o mais divertido de todos os modos. Talvez por sua variedade de lutas, situações bizarras e desafios tangentes ao game, poderíamos chamá-lo de Arcade Mode. O amplexo de variedades é agradável, além de lutar pelo direito de odiar ursinhos de pelúcia, você também pode atirar contra zumbis (em alguns casos há um delay muito chato) e acertar bolas explosivas em um balde, freak o bastante para ser legal, não?

Nostalgia Renovada (O gameplay)

As novidades in-game aparentam ter sido meticulosamente elaboradas e desenvolvidas. A começar pela barra inferior, que é dividida em três pontos. O preenchimento dos mesmos é feito a partir de combos e golpes desferidos pelo lutador. O primeiro ponto já vem preenchido, e serve para a quebra de combos do adversário. O segundo pode ser considerado um boost (um exemplo disso é o do Nightwolf que, ao invés de disparar uma flecha com o especial, dispara três). E por fim o terceiro que ao ser preenchido e executado, desfere o ataque Raio-X no adversário.

O Raio-X, ideia inovadora e genial de Ed Boon, é uma das novidades mais destacáveis em MK9. O detalhismo e a quebra de sons ao executar o golpe cabem perfeitamente na mecânica do jogo. E assim como os fatalities, varia entre os personagens.

Por fim e não menos importante: os Fatalities. Se você acha que as outras versões de Mortal Kombat foram brutas ou trashs, ainda não viu o que MK9 propõe. São diversos (e pasmem: criativos) os modos de Fatalities apresentados no jogo, dos quais não citarei nenhum, pois grande parte da graça da luta está neles. A interação com alguns cenários (como o do metrô e o da piscina de ácido) também faz com que você se sinta dentro do game. Aliás, vale também um destaque aos cenários que, além de reavivar alguns antigos, apresentam boas e detalhadas novidades.


Finish Him! (Considerações finais)

Portanto, com uma mistura de ideias inovadoras, nostalgia e uma proposta de agradar tanto os gamers antigos como os novos, vemos que a série Mortal Kombat surge das cinzas do descaso e volta com força ao mercado dos games. "Toasty"!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Resenha Bairrista: Internacional x São Paulo



O Tricolor venceu, e convenceu. Mesmo muito longe do futebol líder, rápido, preciso, objetivo e raçudo dos corinthianos, o Tricolor chegou ao que a mídia -caso seguisse seus padrões de criar crises- chamaria de a Crise Inversa. Arriscado, eu sei. Mas há de sonhar enquanto o futebol convence, caso contrário a graça se esvairia.

Os guerreiros da seleção de três cores - julgue o arqueiro R.C, só estou repetindo suas palavras - jogaram bem, de modo a fazer a timidez dos colorados vir à tona. Correram, marcaram, caíram. Numa dessas o canela seca, de perto da área, numa falta perigosa, cruzou para o garoto Casemiro cabecear como chutam os pés, sem chance para o goleiro. Os vermelhos esboçaram reagir e ameaçaram os três cores, em vão. No segundo, lançado em velocidade dupla, Fernandinho arrancou como velocista, e conseguiu provar que suas pipocas podem ser facilmente trocadas pela objetividade e qualidade. 2x0

Fim de primeiro tempo e a equipe dos colorados não dava sinal qualquer de reação. Segundo tempo e, para arrematar de uma só -ou melhor, três- vez(es), Carlinhos Paraíba, em rebote de cruzamento, pegou falha irrevogável de Nei, à ponta da área, dominou e mirou ao canto do colorado. Gol com direito à um misto de Daiane dos Santos com Bebeto na comemoração.

Belo baque na equipe colorada, que dispõe de um elenco bom, e pode almejar as posições superiores sem medo, mas para isso: também sem a timidez de hoje. E, perdoem-me a repetição. O Tricolor venceu, e convenceu - mas ainda não mostra um futebol à altura do líder.

domingo, 17 de julho de 2011

Coluninha : Dissecando o fracasso


"O Fracasso de La Plata". Soa bem e é demasiadamente poético. Gostei.Que seja-o. 

Dê-me o bisturi e as gazes.  

A Calopsitinha:
Mais uma vez a seleção Calopsitinha abençoou  tais dizeres com seu vôo raso -e torto- rumo a seu legado recente de estrelismo e falta de raça. "O Fracasso de La Plata" não foi apenas um ato falho da gloriosa e inabalável seleção brasileira, como muitos pensam. Não foi o preciosismo exacerbado nem os penteados espantálicos os culpados pelo balde de água fria paraguaia na passiva pólvora que é a equipe brasileira. 

O erro foi acreditar demais na camisa e não suá-la, foi ceder-se ao nervosismo e ouvir a imprensa, dar muito valor a quem ainda não se pode valorizar. Os garotos ainda têm muito a provar. Pois, claro, no papel até campanha governamental parece séria.

A Imprensa: 

Os erros são inumeraveis, mas não irreparáveis. A mídia tem o costume de cutucar qualquer resultado negativo com pau de sebo. Perder duas vezes seguidas é crise, na quarta derrota nem se fala mais. O costume da substituição técnica para o alcance da derrota iniciou-se não sei quando, mas já tem de acabar. Tomemos como exemplo um caso atual: O Furacão, demitiu Adilson Batista em Maio, na semana seguinte contratou outro. Desde o início do Brasileiro ainda não sentiu o deleite momentâneo da vitória. 

A Imprensa? Nada mais fez do que criar "Crise"s em manchetes - durante uma semana, obviamente. Não se entende: é um ciclo. A equipe perde, a mídia cria crise, torcedores tomam sua 'verdade absoluta', torcedores pressionam a equipe, o que antes era clima de tranquilidade para superar resultados adversos agora torna-se o pensamento de que se substituir, resolve.

Mas, claro, não precisamos nos preocupar com isso quando se trata da Calopsitinha. Afinal, ainda restam alguns penteados peculiares para verbear.

O Torcedor:

Ah, o torcedor. Infeliz otimista que, como eu, e provavelmente você, ainda crê na Tradição, na encourada redonda, e não Sintética patrocinada de nossa Calopsitinha, que por ora ainda fica assim. Quatro? Quatro pênaltis? Volta, Canarinho! - com caneleira!

Mais Gazes, por favor!:
Concluindo: não deixemos a tristeza tomar conta. Como acabou de dizer Geneton Moraes Neto, no twitter: "Pelo menos numa coisa, a Seleção melhorou absurdamente na Copa América : Robinho cortou aquele topete ridículo."

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Coluninha: A Calopsitinha


Companheiros, o brasileiro é ser mais otimista que florista fúnebre.

Não julgo, mas não compadeço. O passado nos constrói, e no futebol não há como ser diferente - até pelo mesmo ser, exclusivamente, futebol, e consecutivamente, fantasia. A fantasia do torcedor não se difere muito à do tarado ativista. Quer ver seu time jogando a sintética redondinha, assim como deseja os belos seios de sua vizinha. Quer ginga, balanceio, catimba, e arte, gol é de menos - e de mais, quando bonito. Estamos falando de seleção. A canarinho. Canarinho? Calopsita, cacatua, papagaia moicana, como preferir.

A crítica maior cabe aos fios de cabelo, à gravidez da maria chuteira ganhadora da mega sena duas vezes seguidas, ao leilão dos sheiques (shakes?) por um jogador, e a nomear jogadores com nomes aviários. Como disse nosso capitão, numa exímia demonstração de mínima consciência dentro dos cabelos enraivecidos "A seleção não é uma vitrine". Discordo em parte. A seleção é sim uma vitrine, e nós somos as madames a olhá-la -ora vamos, não se sinta ofendido, ou a retenção aflora de vez.

Não foi à toa que o veterano jogador da amarelinha disse: "essa pesa mais que saco de cimento". Os olhos do bom jogador não focam mais a encourada em que jogava na infância, e sim a sintética que lhe traz mercedez.

A vitrine da seleção é lustrada à limpa-vidro de classe, garra, empenho e tradição. Sempre foi. Exatamente por isso, o torcedor é otimista. A tradição nos fez otimistas rabugentos jogadores de dominó e comentadores profissionais de lances polêmicos. Tudo isso é pólvora, acesa com o mais simples chapéu em cima de um zagueiro, ou por uma vitória.

E o que falta é a chama.

domingo, 10 de julho de 2011

Resenha Bairrista: São Paulo x Cruzeiro


A volta da lógica. Não há outra explicação para o feito ocorrido no dia de hoje.

Ao tempo que um carranco trancava o camisa dez, o óbvio analista o atira em campo como despertador de indolente. Bingo. Estava faminto, pedia bola, rolava, passava, e corria. Rivaldo, inteiro feito potro, correu os 90 minutos mais fugaz que os comuns 20, dispostos por Carpegiani, como carta moral do time aos finais dos jogos.

O celeste foi muito dependente de Montillo - que, após 15 minutos, sumiu. E, como sabemos, não se confia nem reza a um argentino. A equipe de Joel pressionou nos primeiros dez minutos e se envergonhou, recuou à beira da intermediária defensiva e lá se manteve. Pecou. 

O tricolor confiou em Rivaldo, e somou um. Após Marlos - que até ali, e durante maior parte do jogo, corrria feito queniano- vir agilmente pela esquerda, tocar para Rivaldo, que com suas canelas finas e rápidas devolveram a sintética para Marlos, ao melhor estilo 'pasa me voy', o menino queniano tocou um doce para Dagoberto, que chegou ao inicio da pequena área apenas para assoprar a bola. 

Logo no início do segundo tempo, Rivaldo mostrou como a lógica foi bem vinda, e a burrice de proporção panjéica de Carpegiani em não escalá-lo antes. Partiu da intermediária e cortou o zagueiro como se nada fosse tão fácil, assistiu Marlos - que, novamente, parecia um queniano vindo da São Silvestre-, e o menino apenas chapou com sua perna fraca ao alto do gol. Dois.

A festa parecia perfeita, e o codinome tricolor parecia renascer novamente de sua tumba, mas os meios também justificam os fins. Pois a celeste - que não estava celeste- marcou. Lançamento pela direita.   Montillo estava apagado, mas, como disse, não se pode confiar nem reza a um argentino. E dessa vez o veneno hermano escorreu sobre os pés de Ortigoza, deu um passe digno para Wallysson, que chegava de trás para marcar frente à frente ao arqueiro tricolor e dar sinal de vida - e por que não um chute na canela do São Paulo?

O jogo amornou, as cabeças tricolores esfriaram. O apito final não podia vir em melhor hora.

Fim da crise -até a próxima derrota. 

sábado, 9 de julho de 2011

Coluninha: O azul celeste no céu Tricolor




Companheiros, hoje o glorioso pode brilhar ao azul celeste.

Pois sabemos que o destino está escrito a lápis, e com uma borracha ao lado - por mais que os pseudos não o admitam. O tricolor paulistano pode honrar seu codinome, e sair da condição atual. Porém, do outro lado, o celeste brilha como nunca ao reflexo de um argentino -convenhamos, os brilhos médio campais deste Brasileiro tem um sol argênteo no peito, por mais que um tenha ido à China, e tenham nomes tão peculiares quanto gente normal em suas vielas.

De um lado a equipe do brasileiro que melhor fala inglês em todo universo futebolístico - sejamos justos: sua prancheta moiséica conseguiu arrumar a equipe do Cruzeiro, que vem sorrateiro e perigoso, de campo em campo tal qual uma raposa   para regougar ao apito final. Seu goleiro é elástico e erra pouco, porém seu ponto fraco é o ataque -que há muito é carregado pelo montador do time.

De outro, a equipe do imortal Milton Cruz, interino de luxo tricolor. É uma equipe jovem, crua, sem reação e passiva. Mas tem o que faz o jogo: habilidade. As canelas secas do habilidoso e mestre Rivaldo poderão dar um presente aos esperançosos, e a liderança de Rogério, o eterno arqueiro de três cores, poderão dar uma volta por cima da imprensa. A empolgação da maior parte da torcida se deve à fé na saída da múmia diretora, mas isso é assunto de cartola grã fino.

Ambas as equipes estão de olhos cerrados e sedentas, seja mirando uma volta por cima, ou uma continuidade de vitória.


 Só resta aos leigos esperar. Essa partida promete ser um romance de Agatha Christie.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Coluninha: Um machucado no joelho fecha um jornal.


(estranho é ter uma coluna no seu próprio blog, não?)

Não se fala em outra coisa no Reino Unido. O "magnata" da comunicação -confesso que todas as vezes em que leio 'magnata' só me vem uma imagem à cabeça: meu tio com cordão de ouro, óculos escuros, camiseta florida, e uma chave de seu Chevette 86 com uma pata de coelho em seu chaveiro- Rupert Murdoch, no domingo passado, anunciou o fechamento de seu jornal 'News of the World'.

Após anunciar o fechamento de uma de suas fontes Rosebúdicas de dinheiro (mais de 2 milhões de exemplares por dia), uma objeção intrigante me iluminou. Tudo isso foi causado por um machucado no joelho. Exato. O príncipe William se machucou, a família real, abstinente e imaculada como nunca, pediu total sigilo sobre o arranhão no joelho do pobre Will, e os detetives a mandado do jornal deram o furo ilegal -"furo ilegal", isso daria um ótimo termo obsceno. O News of the World, desvergonhado e com ouvidos - quase que literalmente- às portas publicou a notícia sobre o dodoi do Will, e a familia real, indignada e profanada, abriu um inquérito para a investigação da linha de seus telefones de discagem banhados a ouro e tradição.

Após a investigação foram descobertos grampos em suas linhas e, não obstante, as pessoas que recebiam as informações eram do News of the World. Após isso, a investigação passou a ser específica e o jornal veio a mostrar seus truques dignos de discípulos de Sherlock. Dentre eles a disposição de dados que nem a polícia tinha sobre o caso da menina Milly Dowler (menina de 13 anos sequestrada e morta em 2002), o atentado ao metrô (em 2005) e grampos no telefones de alguns atores hollywoodianos. Tudo isso posto aos holofotes da imprensa mundial por um simples machucado no joelho.


Mesmo maculando a imagem de Rupert Murdoch, o cidadão kane do século XXI, o que mais me impressiona neste caso é a capacidade de uma simples escória ter revelado outra.

domingo, 29 de maio de 2011

Resumo Semanal 22/05 - 29/05


Política: Companheiros, Lula é um predador furtivo e focado. Basta aparecer a oportunidade que ele mira, ninguém percebe, e dá pitaco. Desta vez, como consultor do(s) consultor(es). Para quem dizia não meter o nariz onde não lhe cabe, o fez e tucanou, pode?   Dilma, por sua vez, cedeu aos pisões no calo mágico de Palocci feito pela oposição. Vetou o kit anti homofobia, e aprovou o texto de Aldo, tudo isso por medo de uma CPI para investigar as mágicas de seu ministro chefe.



Interwebs: 
Foi aprovada a união homoafetiva de pássaros. Sim, o Twitter adquiriu o Tweetdeck. Repasso a dúvida que os amigos do tecnoblog levantaram: Seria essa uma boa hora para um Twitter Oficial para windows?


Futebol: Messi é levado. Fez a diferença nessa final da UEFA, e com isso deu ao Barcelona o tetracampeonato. Meu único pesar é o indivíduo ser argentino. Ora, por que não ofertar 72 passistas cariocas para sua nacionalização? Bom negócio, sem bombas... nem virgens. A segunda rodada do brasileirão teve recheio de sobra. Todos os jogos tiveram gols, alguns bonitos... e alguns moicanos. Destaque para Botinelli do Flamengo, outro argentino. Uma pena.


Internacional: O vulcão  Eyjafjallajokull (não, eu não cabeceei o teclado para criação deste nome) entrou em erupção na Islândia, espalhou cinzas, adiantou a viagem de Obama, e adiou a de civis. Seria a Infraero um vulcão em constante erupção? Fica a dúvida.


Tecnologia: O Brasil está criando a cultura de "passagem de iPad". Às 23h59 do dia 26, applemaníacos da lotavam as lojas autorizadas da Apple. Meio ave ao conselho dado - a lá mágico - por um amigo para não comprar o iPad dois meses atrás. Meio porquê ainda não tem Jailbreak para o mesmo.


Games: Disclaimmer: Eu sei que este jogo não é uma novidade, mas nem por isso deixa de ser épico. Semana passada eu já havia terminado este game, porém o choque pós-término levou um tempo maior que o esperado para cura. Modern Warfare é muito bom, e o 2 conseguiu um feito exímio: superá-lo. Incrível como o trabalho da Infinity Ward neste jogo foi caprichado.

Além de dar continuidade ao plot anterior (em que, no modo campanha, você faz o papel de dois agentes e seus objetivos são: Eliminar Makarov e defender os EUA de um ataque russo), os mínimos detalhes são mostrados tanto em animações quanto no gameplay, reflexo, objetos, armas, e faces. Disponível para Xbox360, PS3 e PC.

domingo, 22 de maio de 2011

Resumo SemANAL

Companheiros, vocês já devem me ver como uma besta cataclismica (não só pela minha aparência, mas também pela esporadicidade) por sempre lhes propor algo - algo muito raro na vida de um blogueiro... caso não existisse ironia- : um resumo semanal de fatos ocorridos -ou por mim interpretados- na interwebz e no mundo real de forma menos chata possível -tai outra promessa-. Vamos lá:

Games:

Trouxe aqui para vocês um jogo de iOS -quanta novidade, não? Prometo jogos de mais plataformas ok? Mais uma.- Um game fofinho/bonitinho para iOS e lançamento: Draw Jump.



Draw Jump é uma amostra real do equilíbrio entre jogabilidade e capricho. Tá vendo aquele risco rosa? Uma vez deslizado o dedo sobre a tela, um risco como aquele surge e faz-se de "cama-elástica" para o bonequinho ir pulando. Seu objetivo é ter o maior score possível tendo que pegar os orbzinhos flutuantes, muito legal. U$0,00 no Installous.



Esportes: Implodiram o Mané, e o mané..digo, MANO, convocou seus manézinhos. Um texto sensacional sobre o ocorrido foi postado no blog do Juca - que inclusive coloquei aqui-. O Brasileirão começou, e meu time no Cartola se ferrou - quem mandou apostar se embasando pelo fator "dentro e fora de casa" -. Porém meu tricolor ganhou, e tá tudo bem agora. O Brasília está com uma vantagem de 2 a 0 nas "playoffs" abrasileiradas da NBB, contra o Franca, na melhor de 5. E meu cavalo manco ganhou no jóquei... Ali em cima ó.


Política: Primeiramente, não se assustem com os cifrões neste tópico, assim como a vida na terra, sempre exestirá... e quando parar de existir, me perdi... Enfim... Souberam que nosso ilustre presidente do Senado, José Sarney, recebeu o ministro do STJ, César Asfor Rocha, para um jantar de R$24,000? Algo que me encala a cuca é o fato de, para evitar licitação -cujo tem como valor mínimo para "ativação" os R$ 8,000- , nosso ex presidente dividiu os custos em Decoração, Comes e Bebes. Digno de uma ceia imperial, não? Pois bem, o que mais me aflinge nisso tudo é o fato de não ter sido convidado.


Internacional: O diretor do FMI, Strauss-Kahn foi preso sob acusação de ter estuprado uma camareira em um hotel em  New York. O sujeito mostrou culhões ao pagar 1 milhão - e mais 5, de garantia- por sua fiança. Porém algo me intriga, seria um velhinho realmente capaz de estuprar uma camareira -sim, eu sei que sim, mas digo... sem a ajuda dum azulzinho- , e também às vésperas e auge da sua candidatura à presidência da França?



Tecnologia: A Skynet está se formando, e o comprovante é mais cristalino agora, com essa confusão do Schwazzeneger e seu filho com a empregada. Mas não é bem isso que quero dizer. A Microsoft comprou a Skype por 8,5 milhões de dólares... enquanto eu baixo de graça. As Apple Stores -sim, eu sei..calma- começaram a usar iPads 2 como cartões informativos dos produtos -sim, ao invés de papel, Mr. Jobs preferiu colocar iPads 2- . Muito bem, mas respeito mesmo é limpar a bunda com um.

Pérola:

“Esses livros ensinam inclusive a fazer sexo anal. Não se vota nada enquanto não se recolher esse absurdo.”

Garotinho, deputado federal (PR-RJ) vice-presidente da Frente Parlamentar Evangélica, sobre os panfletos anti-homofobia a serem distribuídos em escolas.